segunda-feira, 19 de setembro de 2016

CONHECER O PAI



Procura-se o ajustamento psicológico do adotado, mas mesmo assim, não se retiram as farpas que sobre a sua cabeça zunem a cada dia e nem aquelas outras que atingem o seu coração de rejeitado neste mundo, inevitavelmente.

O maior sonho para muitos, o maior problema para tantos outros. A proposta de conhecer o pai causa uma discussão neurótica, desproporcional para quem está fora dela. É uma abordagem traumatizante de uma pessoa que não sabe quem seja seu pai, ou que nunca o tenha visto, mesmo sabendo quem ele seja. Tudo emocional desvairado, uma torrente emocional, uma caixa de marimbondos, um vespeiro. Quem aborda este  tema, deverá ter o cuidado de não ofender ninguém, de ser prudente e sensível quanto ao estado emocional, mesmo silencioso e inconsciente do outro.
A certidão de nascimento é obrigatória para todos. Quem sou eu? Filho de quem? No Brasil, existem 5,5 milhões de pessoas que não têm o nome do pai nos seus registros de nascimento.  Pode não fazer falta para a identificação, mas faz falta para o portador dessa certidão. Mágoa, humilhação, rejeição, infidelidade materna. Culpar a mãe por isso? Todos nascem e são concebidos da mesma maneira, no mundo animal a que todos pertencem, inevitavelmente. Estigma por toda a vida. Marcado a ferro e fogo para curtir a caminhada desta vida, na escola, no trabalho, no meio social. Uma desgraça? Infortúnio?
A mãe solteira não pode incluir o nome do pai, na hora de registro de nascimento. Nesse caso, constará apenas o nome dela. A criança não pode levar o sobrenome dele. O cartório então vai encaminhar ao Juiz de Direito uma declaração da mãe, onde ela diz, se quiser, quem é o pai da criança. Se ela não quiser, vai fazer uma declaração de que não quer. Quando essa declaração chegar ao Juiz, ele vai fazer uma ação declaratória de paternidade, chama o casal e   toma as providências necessárias para o reconhecimento que é encaminhado ao Cartório, onde é colocado, no registro, o nome do pai e dos avós paternos.
 
ADOÇÃO

Ato civil pelo qual alguém aceita um estranho na qualidade de filho. É uma relação fictícia de paternidade e filiação. Adoção em si, remonta de povos remotos, como os códigos de Manu e Hamurabi, com outras referências à Grécia e ao Império Romano, perpassando por situações diversas, algumas, constrangedoras. Também no Brasil, havia em asilos, uma janela com um berço, onde se colocariam as crianças rejeitadas. A história conta situação literária, quando a criança, Édipo, foi colocado num balaio, tipo embarcação, e esse  rejeitado, filho de um rei, foi despachado  num rio.
Por que o adotante toma essa iniciativa? Parece que seja simplesmente um ato de amor, abnegação, entrega. Entretanto, há muitas outras razões que envolvem os adotantes. Uma razão, uma necessidade interna. Qual seria?

  • Desde os casais que não podem gerar filhos e, por isso, querem salvar o casamento.
  • Uma criança pode alegrar a vida das pessoas que se sentem tão só.
  • Ter vontade de fazer um bem à humanidade.
  •  Gostar de crianças, por isso quer ter uma.
  •   Adoção compulsória? Na vida social, parentes adotam crianças que estão em risco e abandono. Aceitam essa incumbência, mesmo sem as condições adequadas para isso. Um ato coercitivo? Alguém tem que fazer alguma coisa.
Qualquer que seja a razão, a justificativa, a adoção é um ato de amor, de respeito à humanidade. Razão a mais, razão a menos, mas tem que haver uma delas para que possa impulsionar para a adoção.
Um filho adotivo, um pai e uma mãe adotivos. E os pais biológicos, Como tratar dos assuntos pertinentes à história do adotado? Como ele vai ficar sabendo que é apenas um adotado. Adoção não é humilhação, nem rejeição. O adotado ficará sabendo dessa sua trajetória histórica, mais hoje, mais amanhã. Qual seria a sua reação. Seu ressentimento? Seu desenvolvimento psicológico diante da vida?
A adoção implica em integração à vida de uma família. Integração total e imediata, para agora e para o futuro. A distinção entre filho legítimo e adotivo não existe mais, perante também à legislação brasileira. A partir da Constituição da República de 1988, no seu art. 227, parágrafo 6º que consagrou o princípio de igualdade entre filhos, vedando expressamente, qualquer discriminação entre aqueles havidos ou não da relação e casamento ou por adoção. O adotado tem seus direitos como filho, protegido pela legislação brasileira. Tal legislação  encerrou o poder do Código Civil – Lei 3071 de 1916, que tratava de filhos legítimos e naturais. Recentemente, surge legislação complementar, dando ao adotado o direito de saber quem é seu pai, independentemente da sua idade. 
 
Lei Nacional de Adoção 12010/2009 inclui o direito à revelação da origem biológica no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8069/90 art. 48). “O adotado tem direito de conhecer a sua origem biológica, bem como de obter acesso irrestrito ao processo no qual a medida foi aplicada e seus eventuais incidentes, após completar 18 anos.” Parágrafo Único: “O acesso ao processo de adoção poderá ser também deferido ao adotado menor de 18 anos, a seu pedido, assegurada orientação e assistência jurídica e psicológica”. 



Por tanto, procura-se o ajustamento psicológico do adotado, mas, mesmo assim, não se retiram as farpas que sobre a sua cabeça zunem a cada dia e nem aquelas outras que atingem o seu coração de rejeitado neste mundo, inevitavelmente.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

SEMIÓTICA – O CORPO TAMBÉM FALA


A natureza fala um idioma universal – e o ser humano reflete sua comunicação imediata  pelo seu próprio corpo. Um outro capítulo da Semiótica, não reverenciado por Ferdinand Saussure (1857 – 1913) ou Charles Sanders Peirse (1839 – 1914).



Tantos pesquisadores investiram tempo e esforço para relacionar o corpo com o temperamento, desde Hipócrates. Finalmente kretschmer (1888-1964) e mais recentemente, William Sheldon (1898 – 1977), apresentaram grandes contribuições para desvendar os mistérios do corpo.
Na metodologia científica, A GRANDE PESQUISA DE SHELDON  envolveu 4.000 estudantes e professores de diversas universidades americanas, na década de 1950. Foram feitas três fotografias de cada pessoa, de frente, de perfil e de costas, nuas, colocando-se quadros medidores ao fundo. Foram 17 medidas por pessoa ao todo. Realizaram-se, ainda, entrevistas e foram aplicados testes psicológicos. Constataram-se três tipos físicos básicos:

  1. os endomorfos, isto é, os mais gordos, com predominância de vísceras e gorduras.
  2. os mesomormos, os mais musculosos, forte ossificação, ombros largos e grande caixa toráxica.
  3. e os ectomorfos, os mais magros, com predominância de peles e nervos. 
Uma constatação surpreendente: não havia nenhum desses tipos totalmente puros, isto é, não havia um endomormo sem musculatura e ossificação e nervos. Não havia nenhum mesomorfo, somente de músculos e nenhum ectomorfo somente de peles e ossos. Eis a questão. Passou-se então a dar notas de 1 a 7 para cada componente determinado. 
Assim, uma pessoa poderia ter a caracterização de 7-1-1 de endomorfia, ou 1-7-1 de mesomorfia máximo ou 1-1-7 de ectomorfia. Casos extremos. Entretanto, os tipos físicos assumiam caraterísticas diferenciadas. Assim, um indivíduo poderia ter a classificação 3–3-4 ou 3-6-3 dentro da ordem estabelecida para cada componente. E houve consequentemente, grande variedade de tipos físicos. Separaram-se os resultados psicológicos por grupos de acordo com as medidas, com a predominância física. Aqueles que eram predominantemente :

  1. Endomorfos seriam os viscerotônicos.
  2. Mesomorfos seriam os somatotônicos.
  3. Ectomorfos seriam os cerebrotônicos.
Um grande trabalho apresentou-se pela frente para conclusão do estudo, devido a grande quantidade de grupos.
Nota - Na ocasião, com as fotografias de pessoas nuas dispostas para estudo dos pesquisadores, houve uma turbulência social nas universidades pesquisadas com manifestação de oposição natural por comentários surgidos. Consequência: as fotos para  pesquisa feitas com as pessoas de sexo feminino tiveram que ser incineradas. Assim, a pesquisa apresentou resultados apenas para pessoas do sexo masculino.
Cada tipo poderia ter a nota somatória máxima de 12. Houve casos especiais de displasia, (vários modelos), gianandromia (característica de sexo oposto) e hirsutismo (pelos). 
A maior importância da pesquisa foi a associação de características de comportamento com os tipos físicos predominantes. Foram constatadas semelhanças de temperamento por grupos físicos. Um grande mérito da pesquisa foi estudar pessoas com saúde física e mental. Foram definidos centenas de grupos, de acordo com as notas obtidas dentro das caracterizações psicológicas de temperamento. Na época, Gagarim, o russo que foi à Lua, teve 4-4-4. Um bom biotipo? Talvez, nem tanto. Significa conflito por forças antagônicas, interagindo no comportamento. Assim, um indivíduo com classificação de  3-4-4 poderá ser pessoa agressiva e tímida. Portanto, talvez, perigosa.
Entretanto, de acordo com a classificação predominante, seguindo-se a ordem numérica fixa, com traços de comportamento assemelhados, tem-se: 




7-1-1 – Viscerotônicos 

Gosto pelo conforto/ relaxamento / prazer na alimentação/ sono profundo/ sociabilidade/  necessidade de aprovação social/ cooperativo/ emocional/ chora com facilidade/ generoso/ humanitário/ necessidade de comunicação ou de falar nos momentos conflitivos.
 




1-7-1 Somatotônicos 


Postura firme / características enérgicas/ franqueza / agressividade / gosto pelas aventuras / gosto pelo jogo de modo geral / desafiador / fala desembaraçada/ aparência de mais idade/ necessidade de movimentação nos momentos aflitivos.






    

1-1-7 Cerebrotônicos 

Postura contida/ retraído/ restrição da fala/ voz baixa/ nervoso/ inibição/ dificuldade no sono/ gosto pela solidão/ privacidade/ necessidade de isolamento nos momentos conflitivos.











Observação: estes são tipos extremos. Verifica-se grande variação em cada tipo predominante.              
Consequências – Na época, havia estudos que avaliavam os efeitos da EUGENIA, para aprimoramento e embelezamento da espécie humana. Hitler era um seguidor e incentivador. Houve quem quisesse associar a pesquisa de Sheldon a outras finalidades. Não era a intenção do doutor William Sheldon.
Outros estudos associados: a fisiognomia é tratada mais recentemente como tema de estudos e pesquisas.
Em 1998, a escritora e terapeuta americana ROSE ROSETREE desenvolveu um método próprio de fisiognomia, nas décadas de 80 e 90, fruto de suas experiências e de aplicação de técnicas. É considerada a precursora da fisiognomia no mundo ocidental. Seus livros  THE POWER OF FACE READING, e outro, WRINKLES ARE GOD´MAKEUP, expõem suas experiências e constatações.
A abordagem da fisiognomia de ROSE ROSETREE rompeu uma visão médico-psiquiátrica que dominava a observação do comportamento das teorias anteriores.
Finalmente, existem aplicações policiais sobre a fisiognomia em tecnologia da informação, utilizada nos aeroportos. Qualquer que seja essa aplicação, não deixa de ser uma leitura informativa, dentro da semiótica que, quer queira, quer não, domina a área completa da comunicação.
Estão presentes Saussure e Peirce, quaiquer que sejam os métodos avançados de aplicação. Assim como as radiografias e os exames laboratoriais, as mensagens devem ser lidas e interpretadas. E elas precisam de bons leitores.