sexta-feira, 17 de março de 2017

GÊNEROS LITERÁRIOS



Na criação artística não existem regras. Há bom gosto. Há estética na demonstração de qualquer expressão, assim como existe

calor no gelo.



As academias literárias podem oferecer comentários sobre os vários formatos de textos produzidos em suas oficinas. Comentar implica em levantar visão crítica, alertar quanto aos desafios na criação artística e evitar descaminhos. Na criação artística não existem regras. Há bom gosto. Há estética na demonstração de qualquer expressão, assim como existe calor no gelo. Cada época e cada região também retratam as suas preferências e seus modismos. E isto faz história.
Os gêneros literários ainda seguem a orientação dos gregos:

  • ÉPICO– (em todos os formatos narrativos);
  •  LÍRICO (com todas expressões da poesia);
  •  DRAMÁTICO (envolvendo todas as manifestações em teatro). 

SOBRE O CONTO LITERÁRIO 

É um formato literário do gênero narrativo, expresso em texto curto, breve e objetivo. Para autores principiantes? Composição fácil? Nem sempre.
O autor tem que ter, logo na introdução, a habilidade de prender o leitor na delegacia das palavras iniciais, tais como: “o maridão pulou a cerca”, “cachorro fez mal à moça”, “a Candinha já não era virgem”, etc. Daí para frente, não deixá-lo escapar no meio da historieta. Deve cozinhar o leitor no panelão do enredo. Para isso, usar palavras do cotidiano, evitar demonstrar complexo de inteligência e não enrolar.
Ao final, despertá-lo do transe da leitura com alguma surpresa. Surpresa? Sim. Um final que psicologicamente poderia decorrer da narrativa, mas que não tenha sido imaginado pelo amigo leitor. Isso mesmo. O autor estabelece uma conversa com o leitor e leva-o por uma direção natural, até que vai acontecer uma conclusão inesperada. Essa relação amistosa com o leitor é uma ponte para convidá-lo a iniciar uma nova viagem na história seguinte.
O DNA do conto é a lenda, a fábula, a anedota.

OUTROS FORMATOS NARRATIVOS
  •   Lendas trazem histórias que vêm de épocas passadas e trazem mensagens de acontecimentos imaginários. Os contos de fada, por exemplo, Branca de Neve, O patinho feio etc.
  •  Fábula é uma criação para demonstrar uma posição de comportamento ou moralidade. Dá voz às cigarras e às formigas. Também acode a argumentação do lobo em relação ao cordeiro. “Como posso sujar a água que você está bebendo aí em cima, se eu estou cá em baixo?”  
  •  Anedota é o humor a qualquer preço vocabular. Liberdade para utilizar quaisquer palavras da prateleira de baixo para criar situações inusitadas, construindo o ridículo somente para fazer rir.  
  •  Dissertação, tão queridinha dos vestibulandos? Um tema solto no espaço, dependurado ao sabor dos ventos. O vestibulando fica emperrado no meio do caminho. O tema proposto deve receber tratamento que defina posicionamento imediato. Dissertação a favor, contra ou coluna do meio? Eis a questão. Conta-se que um articulista foi solicitado a fazer uma dissertação sobre Deus, mediante remuneração. Tudo combinado. Quando o solicitante ia saindo, o articulista se lembrou de perguntar: Escrever contra ou a favor?  
  •  Cartas, no modelo epistolar – A comunicação empresarial, os e-mails, os recibos e os relatórios. Histórias podem ser contadas em cartas, como O tigre Branco do indiano Aravind Adiga. 
  •  Diários – mais ou menos íntimos e confidenciais. Goethe usou do formato de diário para editar o romance Werther, precursor do romantismo na Alemanha e que emocionou o mundo literário.

Ainda, o ensaio envolve uma tese, um desafio, um “cqd” – como queríamos demonstrar num teorema matemático, filosófico, religioso, policial, político etc.
Sobraram a novela, a biografia, a crônica e o romance de ficção para estudo em separado, para se ter uma visão geral do gênero narrativo ou épico, segundo os gregos. Tais formatos são muito frequentes entre as manifestações literárias na atualidade.
Não existem barreiras para a criação artística de modo geral, bem como para a literatura. Cada dia, composições mais curtas, linguagem simples, bem como modelos importados. Utilização de abreviaturas constantes nas comunicações da internet ou smartphones. Essa a futurologia literária. A disponibilidade do tempo das pessoas diminui e vai obrigá-las a aproveitar essa simplificação como meta principal, mesmo que seja com prejuízo de valores tradicionais.