COMPORTAMENTO POSITIVO

Todo comportamento tem uma intenção positiva. 
Como juntar num mesmo balaio as intenções positivas dos heróis, dos santos e dos bandidos malfeitores?


Tal assertiva, “todo comportamento tem uma intenção positiva” como um pressuposto da Programação Neurolinguistica(PNL), envolve uma derrubada de modelos que vai deixar muitas pessoas assustadas ou incrédulas. Intenções positivas? Como aprofundar o pensamento dentro dessa direção? Pois no inconsciente de cada pessoa só é autorizada a execução de ações que passarem no seu crivo de julgamento como sendo as corretas e adequadas para aquele momento.  Parece um círculo de giz, onde fica paralisado um peru. Não encontra alternativa de fuga, de saída, com melhor resultado. Fica parado e preso. 

Todas as pessoas têm uma ecologia interna que garante a manutenção e equilíbrio do seu sistema. 

Assim, há necessidade de surgir uma melhor solução, naquele momento, colocando esse sistema em funcionamento. Cada pessoa tem capacidade para tomar qualquer decisão na sua vida. Para ela, tudo será feito corretamente. E zaz!!! Vai em frente. Cria argumentos e justifica cada um deles, de acordo com o seu termômetro, no seu próprio tribunal interno. Pode manter um diálogo com os seus “diabinhos” que vagueiam no seu pensamento. Pode ser também um monólogo, dada a sua força de convicção. Surge, para ele, naquele momento, a autorização para a execução. O julgamento foi realizado. Os seus juízes podem dar a sentença. Não está em jogo a qualidade intencional desses juízes do seu tribunal. As ações imaginárias nascem do inconsciente e caem no poder judiciário, inevitavelmente. É o primeiro passo desse itinerário. Se essas ações forem aprovadas, quando passadas nos crivos dessa peneira, a sentença vem imediata, pronta, límpida, para ser colocada em prática, no poder executivo. Essa sentença tem, consequentemente, uma intenção positiva para essa pessoa, naquele momento, qualquer que seja ela.

Complicado? Nem tanto.
  • “Vou comprar uma moto hoje. Tenho condições financeiras. Ou posso comprar a prestação? Há muitas motos no mercado, a bom preço. Transporte individual e rápido. Sim... o trânsito está pesado, eu perco muito tempo no traslado até minha loja. Vou economizar com despesas de ônibus ou táxi. Ganho tempo. Tempo é vida. Vou viver mais. Posso chegar a casa mais cedo.” Eis o tribunal em ação. Entram, logo, os advogados de acusação:  “Olha o perigo! Acidentes. Já tem licença para dirigir motos? Primeiro, a habilitação. E assaltos? E dia de chuva? E o frio do vento? E esse capacete pesado que tem que usar?”  E por aí vai o processo, aumentando precariedades. A ecologia interna. Quem vencerá? A vitória será uma intenção positiva, qualquer que seja ela.
  • Muitas vezes, não há tempo de convocar um tribunal e a decisão tem que ser imediata. Uma senhora, assediada grosseiramente na rua, deu um tapa na cara de um homem desconhecido.
  • Um homem invade uma residência, agride, mata e rouba. O seu tribunal autorizou essa ação. Para ele, na sua concepção, provinda da sua formação, da sua ecologia interna, era uma oportunidade imperdível.
  • E Hitler? Julgava-se defender, aumentando o seu poderio militar num desejo de se vingar de agressões de nações impertinentes? Pelo sim, pelo não, o tribunal interno desse “führer” estava em dia com as suas melhores e mais positivas intenções. Convicto e inflexível.
  • E o presidente Truman despencou uma bomba atômica em cima de Hiroshima, em 1945. Intenções positivas? Para ele, naquele momento, seria um comportamento mais do que positivo e oportuno na arte da guerra. Como herói repousa em seu “pantheon”.
  • E o lobo diante do cordeiro, cá em baixo, que sujava a água que ele bebia lá em cima? Razões também imaginárias. 
  • Por que um jovem escolhe uma profissão? Medicina ou uma carreira religiosa? Vai ser médico ou ser padre? Tudo passa por julgamentos. Vence a melhor decisão para ele, naquele momento, no tribunal da sua ecologia interna. 
  • E a decisão de São Francisco de Assis? Abandonou tudo, família, riqueza, poder. Com os pés descalços, sol inclemente, estrada de pedregulhos. Depois a neve, o sofrimento. O desejo de servir à sua maneira. Seguir o seu caminho, prestando ajuda a quem quer que seja. Foi autorizado pelo seu tribunal, em intenções positivas, ecologicamente.
Eis a questão!!! Se todo comportamento tem uma intenção positiva, todos têm o direito de se julgarem inocentes, internamente. Pesquisa realizada num presídio nos EUA, com criminosos de alta periculosidade, revelou que quase todos se julgavam inocentes e foram vítimas de um ato inconsequente. Alguns ainda diziam que fariam tudo da mesma forma como tinham feito. Ninguém se condenava internamente. Alguns culpam uma leitura mal interpretada da sentença do seu tribunal. Podem lamentar-se. 

Por outro ângulo, constata-se que, de arrependidos, o inferno está cheio. 


Comportamento positivo

Todo comportamento é positivo
Tanto estranho que possa parecer 
E faz esse agente então perceber
Que ele se tornou mais competitivo.

Hitler não cometeu nenhum deslize
Napoleão expande o território
Bomba atômica, acidente ilusório,
Caiu do céu, foi o que Truman disse. 

De arrependidos o inferno está cheio!
Sempre fazendo o que julgava certo
E o ser humano justifica o meio.

Nos campos de guerra há uma mina perto
E alguém está colhendo um pranto alheio
Só pensando em si, julgando-se esperto.



Referências:

Seminários didáticos com Milton H. Erickson. Zeig.Jeffrey R.Psy II, SP
A estrutura da Magia. Bendler. R e Grinder. J.   

Comentários

  1. os quadros em destaque estão perfeitos, resume muito bem o texto. Achei o máximo -" Quem vencerá? A vitória será uma intenção positiva, qualquer que seja ela."-

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  2. Cara, sempre encontro bons assuntos sobre PNL nas suas postagens. Lógico que sinto a fonte de referência. Vou usar este post num curso sobre liderança ( delegativa, autocrática, democrática, transacional e transformacional) Seu texto é perfeito para a liderança transformacional. É altamente motivacional.

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  3. Amigo, muito bom o texto, sempre digo para mim mesmo, que toda ação procura uma conquista. Independe da visão de terceiros. Meus resultados dependem de minhas escolhas. Vou conseguir custe o que custar.

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  4. Minha observação não pode nem deve ser lacônica.
    O escrito não é fantástico; "é óbvio e uluante" por coerência com o estresse biológico, motivo da nossa existencia e desta exposição. Importa é a sobrevivência do agente sob o estresse, até que se sucumba, pelo estresse final em incapacidade de defender-se. Estresse é defesa biológica e sem ele não há vida; a vida é função desse manifesto da homeostase neuropsicofisiológica sem se importar com valores éticos ou morais. É o causador da resposta à situação, qual seja ela, de agressão ou de alegria, euforia, contentamento ou desespero, para manter-se na posição mais confortável; vivo na decorrente percepção do locus momentâneo gerador do caos, não interessa em que grau por ser a graduação consequente a fatores intrinsecos, e daí, por qualquer meio, a resposta é visa a integridade do agente. Só os que não nasceram ou estão plantados nos campos santos, vencidos pela fraqueza na resposta ao estreesse, não sofrem mais estresse biológico, psicológico, social, financeiro, cultural, político, religioso, ecológico, outros... O que é certo? O que é errado? Quem o certo? Quem o errado? O que é a verdade? O que é a mentira? O que é Justiça? e a Injustiça? Deus ou deus? Céu e Inferno? São ferramentas culturais dos tempos ao controle humano sob paradigmas de humanizar, naquela era para os efeitos por ela determinados. Parabéns! Sucinto, claro, objetivo, prático. Referência

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  5. Desculpe complementar minha observação.

    Do exposto nasce a diferença entre "treinar" = mero exercitar contínuo do Reflexo de Pavlov e o que faz com qualquer animal amestrado; e "educar" = treinar sob a racionalidade, i.e., ética e moral à objetividade de humanizar o homem. Todo homem é animal educável, nem todo homem é educado, humano. Mestre, doutor, pós-doutor, livre docente são titularidades a supostos educados que nem sempre assim se conduzem.

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  6. Positive behavior is the posture of someone who knows and understands their limits. To have respect is a great beginning.

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